quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Almeida Garrett

Almeida Garrett, de seu nome completo João Baptista da Silva Leitão de Almeida Garrett, nasceu no Porto, em 1799. Fez os seus estudos em Angra, e aos 15 anos chegou a tomar as ordens menores, que se julga ter abandonado por motivo das suas inclinações amorosas pela inglesinha Isabel Hewson.
Matriculou-se em Direito aos 17 anos e em Coimbra escreveu e ensaiou Mérope.
Estabeleceu-se em Lisboa em 1821, onde, num teatro do Bairro Alto, leva à cena "Catão".
Em 1823 emigra para Inglaterra, regressa a Portugal pouco depois e é de novo forçado a exilar-se. Na sua correspondência do exílio relata as dificuldades que lá se lhe depararam.
Parte para Paris, onde compõe “D.Branca” e “Camões” (publicado em 1825). Em 1828 torna a emigrar, embora continue a exercer a sua actividade política e literária. Colabora no “Chaveco Liberal”.
Continua a sua actividade política na ilha Terceira. Colabora com Mouzinho da Silveira. É soldado no cerco do Porto.
Cria o conservatório de Arte Dramática, a Inspecção-Geral dos Teatros, o Panteão Nacional e o Teatro Normal, sendo mais tarde demitido de director do Conservatório, da Escola de Declamação e de Inspector-geral dos Espectáculos…
Escreve entretanto “o Alfageme de Santarém”, ou “Espada do Condestável”.
Em 1843 escreve “Frei Luís de Sousa”, em 1845 o “Arco de Santana” e no ano seguinte “viagens na Minha Terra”.
O eminente prosador, poeta, dramaturgo, orador, par do reino, fidalgo, cavaleiro da casa real, soldado da liberdade, deputado, diplomata, que procurou através da sua obra que o povo, que tanto amou, encontrasse o caminho da sua verdadeira nacionalidade.
Morreu em Lisboa, em Dezembro de 1854. “Frei Luís de Sousa” é considerado como uma das maiores criações teatrais do romantismo europeu e, no consenso geral, uma das suas melhores obras, e, a atesta-lo, atente-se nas numerosas representações que teve, muitas delas interpretadas pelos maiores nomes da cena portuguesa.
O próprio Almeida Garrett interpretou o papel de Telmo Pais quando o drama se estreou num teatro particular.

sábado, 1 de novembro de 2008

O Quinto Império

O Quinto Império é uma crença messiânica, milenarista (quiliástica), concebida pelo padre Antônio Vieira no século XVII.

Os quatro primeiros impérios eram, segundo Vieira, pela ordem: os Assirios, os Medos, os Persas e os Romanos. O quinto seria o Império Português.
A utopia do Quinto Império permeia a obra de Fernando Pessoa também, no livro Mensagem.
O Quinto Império foi uma forma de legitimar o movimento autonomista português, que conseguira o fim da União Ibérica.

Fernando Pessoa

"Primeiro estranha-se, depois entranha-se".
Este foi o slogan publicitário criado por Fernando Pessoa, em 1928, para o lançamento da Coca Cola em Portugal. Em plena ditadura militar, onde já pontificava a austeridade do ministro das finanças, Oliveira Salazar (que Pessoa abominava), o projecto foi recusado, com a justificação que criava "habituação".
A Coca Cola entraria legalmente em Portugal (nas colónias consumia-se através de contrabando com países vizinhos) em 1977, 49 anos após a primeira tentativa, sem que a sua entrada
não tenha sido vista com desconfiança pelas hostes comunistas.
Outros slogans criados por Fernando Pessoa:
"Uma cinta Pompadour veste bem e ajuda sempre a vestir bem."
"Seja qual for a linha da moda na Toilette feminina é sempre indispensável uma cinta Pompadour."
(Cintas Pompadour)
"Eu explico como foi (disse o homem triste que estava com uma cara alegre), eu explico como foi..."Quando tenho um automóvel, limpo o. Limpo o por diversas razões: para me divertir, para fazer exercício, para ele não ficar sujo."O ano passado comprei um carro muito azul. Também limpava esse carro. Mas cada vez que o limpava, ele teimava em se ir embora. O azul ia empalidecendo, e eu e a camurça é que ficávamos azuis. Não riam... R camurça ficava realmente azul: o meu carro ia passando para a camurça.Afinal, pensei, não estou limpando este carro: estou o desfazendo."Antes de acabar um ano, o meu carro estava metal puro: não era um carro, era uma anemia. O azul tinha passado para a camurça. Mas eu não achava graça a essa transfusão de sangue azul."Vi que tinha que pintar o carro de novo. Foi então que decidi orientar me um pouco sobre esta questão dos esmalres. Um carro pode ser muito bonito, mas, se o esmalte com que está pintado tiver tendência para a emigração, o carro poderá servir, mas a pintura é que não serve. A pintura deve estar pegada, como o cabelo, e não sujeita a uma liberdade repentina, como um chinó. Ora o meu carro tinha um esmalte chinó, que saía quando se empurrava."Pensei eu: quem será o amigo mais apto a servir me de empenho para um esmalte respeitável?Lembrei me que deveria ser o Bastos, lavadeira de automóveis com uma Caneças de duas portas nas Avenidas Novas. Ele passa a vida a esfregar automóveis, e deve portanto saber o que vale a pena esfregar."Procurei o e disse lhe: Bastos amigo, quero pintar o meu carro de gente. Quero pintá lo com um esmalre que fique lá, com um esmate fiel e indivorciável. Com que esmalte é que hei de pintar?"Com Berry/Loid, respondeu o Bastos e só uma criatura muito ignorante é que tem a necessidade de me vir aqui maçar com uma pergunta a que responderia do mesmo modo o primeiro chauffeur que soubesse a diferença entre um automóvel e uma lata de sardinhas".
(Tintas Berry/Loid)

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Texto Narrativo

Estava calor, quando cheguei ao local combinado.
O Bernardo esperava sentado numa rocha, a olhar para o mar.
Assim que cheguei ele olhou para mim: "estás fantástica" - disse ele.
Corada sentei-me a seu lado.
O silêncio foi constrangedor. Pareceu uma eternidade.
Foi então que o Bernardo pôs-se de joelhos e ficou a olhar para mim, com aquele brilho nos olhos:
-Meu anjo, adoro cada momento passado contigo. - notei uma alteração na sua voz.
- Mas Bernardo, que se passa? - o meu coração palpitava.
-Tenho uma má notícia...Estou doente.
-Doente?
-Tenho apenas 6 meses de vida. Quero casar contigo antes de partir para outro mundo.
Não queria acreditar. Queria pensar que tudo aquilo não passava de um sonho.
Depois de muito silêncio:
-Bernardo, preciso de tempo para pensar... - e afastei-me sem olhar para trás.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

As correspondências de Fradique Mendes


“Tudo tende para a ruína, num país em ruínas”.

“Todo o jornal destila intolerância, como um alambique destila álcool, e cada manhã a multidão se envenena aos goles com esse veneno capcioso.”

“Mas uma existência enraízada em Lisboa não me parece tolerável. Falta aqui uma atmosfera intelectual onde a alma respire”

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Tempos Sanguinareos

Quem poderá parar esses homens sanguináreos
Quem poderá domar este tropel
Da solidão
À flor da pele?

Quem poderá calar a voz das mulheres tristes
Que choram a morte dos seus familiares
A fúria domina
As suas mágoas?

Quem poderá impedir estes homens de guerrear
Que em cada passo magoam os outros
Mulheres viúvas
Como parar tudo?

Quem poderá prender a raiva deles?
Que dentro deles vai crescendo cada vez mais
As armas não bastam
Como parar isso?

Como são os jovens actualmente?

Em conversa com uma amiga cheguei a uma triste conclusão.
A juventude de hoje, até aos 20 anos, está perdida. E está perdida porque não conhece os grandes valores que orientaram os que hoje rondam os 30 anos.
O grande choque, entre a nossa conversa, foi quando lhe falei no Tom Sawyer.
“Quem?”, perguntou ela.
Quem?! Ela não sabe quem é o Tom Sawyer.
Claro que depois dessa surpresa, ocorreu-me que provavelmente que ela não conhece outros ícones da juventude de outrora.
Os jovens de hoje estão a crescer à frente de um computador. É provável que estes jovens não passaram por uma série de situações. A experiencia da adolescência passa-lhes a frente.
Óbvio, que estes jovens, nunca caíram quando eram mais novos. Nunca fizeram feridas.
Hoje se um miúdo cai, esta dois dias no hospital, a fazer exames a possíveis infecções. Depois esta dois meses em casa a fazer recuperação de uma doença que descobriram. Doenças com nomes que não existiam antigamente.
Hoje já não se vê miúdos na rua a jogar a bola. Na altura havia mais convívio.
Actualmente não falta nada aos miúdos.
Com 11 anos qualquer um já tem telemóvel.
Antes, para
se ter uma consola, tínhamos que pedir à família toda para se juntar e para servir de presente de anicersário e Natal, tudo junto.
Com tanta protecção que se quis dar à juventude de hoje, só se conseguiu que 8 em cada miúdo sejam cromos.
Antes só havia um cromo por grupo de amigas. Era o totó de óculos, que levava porrada de todos, que não podia jogar à bola e que não tinha namoradas.
Hoje se um puto é normal, ou seja, não tem óculos, nem aparelho nos dentes, as miúdas andam atrás dele,
Se um miúdo actualmente anda de bicicleta e fica na rua ate as 22h, os outros são proibidos e se dar com ele, é má companhia,
Realmente a juventude de hoje está perdida. Está adormecida…